A importância do Outubro Rosa

postado em: Artigos | 0

Em 1990, aconteceu a primeira Corrida pela Cura na cidade de Nova York, onde a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu aos participantes um laço cor-de-rosa.
Em 2002 no Brasil, um grupo de mulheres, em conjunto com uma marca de cosméticos europeia, adornou com luzes cor-de-rosa o Obelisco do Ibirapuera, situado na cidade de São Paulo.
Durante o Outubro Rosa, as cidades enfeitam seus locais públicos com fitas rosa, iluminam prédios públicos, monumentos, teatros, pontes e outras construções com luzes cor-de-rosa e promovem eventos como atividades esportivas e desfiles.
O objetivo principal do Outubro Rosa é chamar atenção para o câncer de mama, a importância do diagnóstico precoce e o tratamento adequado para essa doença.

Mas onde a fotografia se encaixa nessa matéria?

Quando fotografamos um objeto queremos mostrar sua finalidade, como funciona e o que pode agregar na sua vida, trabalho, etc.
Com os momentos não é diferente, eternizamos momentos alegres para depois revivê-los ou até mesmo os momentos tristes, onde podemos enxergar algum aprendizado e evolução em nossa vida.


Convidamos a Cláudia da Cruz, mãe da Bárbara Moreira (autora no Blog da TPFoto), para nos contar como foi sua experiência com o câncer de mama.

A Cláudia tem 54 anos, é casada, mãe de três filhos e tem um neto que mora com ela. É  professora e trabalhou por 20 anos como instrutora de treinamentos corporativos.
Em 2015, na véspera da Páscoa, quando tinha 48 anos, enquanto tomava banho com sua filha mais nova (com 7 anos na época), percebeu um caroço duro na mama direita.

O domingo de Páscoa, que para ela normalmente era um dia de alegria, tornou-se um dia triste, de “luto”, pois achava que morreria por causa do caroço na mama.
“Peguei aquela famosa “caixa” que eu acho que toda mãe tem, a caixa dos desenhos, das lembrancinhas que os filhos fazem e fotos, olhei cada uma com um olhar de “última vez”, a sensação que tinha é que era algo muito sério e que tinha que reviver todos os momentos que tive com minha família…”

Na segunda-feira Cláudia já foi buscar ajuda médica, no posto de saúde de seu bairro. Foi atendida rapidamente, já fazendo a ultra sonografia no dia seguinte. Durante o exame, ela ficou assustada com as palavras que os médicos trocaram: “Aqui tem uma estrutura esbranquiçada, já está enraizada. Olha aqui na axila também tem…”. A reação dela, para a nossa surpresa, foi a alegria, dizendo para a médica “Doutora, eu vou ficar careca? Porque se eu tiver que ficar careca não vou usar peruca, tenho medo que o vento faça a peruca sair voando no meio da rua…” Todos riram, e ela se sentiu um pouco mais leve.
Recebeu o resultado do exame no mesmo dia, em casa abriu o envelope e lá estava: Bi-Rads 5 – suspeita de câncer. No momento ela chorou muito, mas fez uma oração de agradecimento (pela sua família) à Deus.
“Eu enxuguei as lágrimas e prometi que não choraria mais, que passaria tudo que teria que passar sem reclamar de nada.“
– Como sua família reagiu a tudo isso?
“Eu reuni a família e tive que ser forte para contar para eles, meu maior medo era minha filha Bárbara que estava grávida, não queria que nada acontecesse com ela ou meu neto. Eles choraram muito, mas eu só pedi que eles me dessem apoio, que este momento iria passar e nós iríamos comemorar mais esta vitória.”

Ismael (marido), Cláudia, Heloísa, Pedro, Bárbara e Jimmy (neto)

Em 15 dias, Cláudia já estava fazendo a cirurgia, pelo SUS, no Hospital Mário Gatti. Foi uma cirurgia tranquila e com ótima recuperação.
Um dia antes dela começar o tratamento com as quimioterapias, recebeu um presente e pôde assistir a chegada de seu neto Jimmy ao mundo: “Que momento incrível, corri para a Maternidade e fiquei ao lado da minha filha dando apoio neste momento tão especial.” 

Cláudia e o neto Jimmy

– O tratamento é difícil ?
“Sim. É cruel, são muitas perdas: cabelo, sobrancelha, mama, a pessoa engorda por causa da medicação. Mas eu estava super forte, acabei de ganhar um neto, estava sempre positiva, querendo que tudo desse certo, para poder curtir bons momentos como uma vovozinha…
Fiz 16 quimioterapias, 4 vermelhas que são as que fazem cair o cabelo.
Minha médica disse que eu passaria mal, iria vomitar, ter diarréia, dor de cabeça, dor no corpo, mas eu disse para ela que quando eu preparava prova para meus alunos, sempre colocava uma última alternativa, a letra “D”, e que eu escolheria exatamente esta alternativa nesta prova: D) nenhuma das anteriores!
Fiz 12 quimioterapias brancas, mas não tive nenhum efeito colateral (escolher a alternativa D funcionou), não passei mal, não vomitei, a única coisa que aconteceu é que meu cabelo caiu, mas eu falava para todos que estava linda careca, que parecia uma rainha intergaláctica. Estava aproveitando para economizar shampoo, corte de cabelo e depilação, todos davam muitas risadas.”

– Quando você olhou-se no espelho e viu que estava careca, o que sentiu?
“Quando meu cabelo caía durante o banho a sensação que tinha é que eu estava morrendo.
Assim que meu marido cortou meu cabelo, senti-me linda, com força e vontade de viver. Daí aproveitei e tirei muitas fotos careca, com vários lenços e chapéu, para registrar este momento de metamorfose, porque a sensação que eu tinha é que sairia deste processo como uma linda e colorida borboleta.
Meu marido sugeriu que aproveitássemos a jornada, então eu tirava foto de tudo, meus filhos também registravam todos os nossos momentos juntos, tirávamos fotos até da florzinha que nascia na sarjeta da minha rua.
Hoje olho essas fotos e fico emocionada, afinal as fotos são um registro de momentos bons, mas também de momentos ruins, só que hoje eu olho com o olhar da superação, tudo passou…”

O tratamento da Cláudia durou exatamente um ano. Ela conta como se sentiu quando a médica informou sobre sua alta: “Foi um dia emocionante, de muita comemoração com minha família, afinal, foram eles que mais me apoiaram em todos os momentos.”

Desde 2015, à convite de uma amiga que trabalhava no Hospital Mário Gatti (onde ela fez seu tratamento), Cláudia começou a ministrar palestras em empresas, escolas, hospitais para contar a sua história de superação do câncer de mama e diz “como boa professora também ensino a fazer o autoexame e trabalho também a conscientização do câncer de mama masculino, que tem uma estatística bem menor que o câncer de mama feminino, mas ele existe e temos que conscientizar todos, porque o câncer de mama tem cura, principalmente quando é diagnosticado no começo.”

– Qual mensagem você quer nos deixar?
Cuide-se, com alimentação saudável, atividade física e bons hábitos.
Previna-se, observe o seu corpo, o seu funcionamento, se algo estiver estranho em você, procure um profissional especializado e faça o tratamento que for necessário.
Ame-se, faça o autoexame em frente ao espelho, olhe-se, observe como está o seu corpo e qualquer alteração, procure um médico.”

– Suas considerações finais.
“Gratidão a toda a equipe da TPFoto pela oportunidade de compartilhar a minha história com vocês. Gratidão a Deus pela minha cura. Gratidão a minha família e amigos pelo apoio.”

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *