Fotografando o mar

Quem curte fotografia sabe o quanto é difícil registrar o mar. A diferença entre fotos amadoras, lembranças de viagens e registros profissionais pode ser muito grande. O oceano é um tema riquíssimo, mas é preciso cuidado ao fotografá-lo, com uma composição apurada e boa técnica, além de trabalhar nas melhores condições e com o equipamento adequado.

Em termos de equipamento, fotografar o mar não exige muito investimento. A iluminação geralmente boa descarta a necessidade de usar lentes muito luminosas (com abertura máxima f/2.8 ou menos), ainda mais que na maioria das imagens o objetivo é uma profundidade de campo ampla (fechando o diafragma entre f/11 e f/16 ou mais) para registrar a paisagem nítida do primeiro plano até o fundo.

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Paisagem marinha feita pelo Hamilton Sousa, de Cabo Frio (RJ), explora a bela luz do lugar

É óbvio que para fotos mais específicas, em que a meta seja destacar um elemento ao desfocar o fundo (como retratos de pessoas, animais, plantas ou ainda para imagens mais abstratas), as lentes mais claras podem ser úteis, mas não imprescindíveis.

Por causa da luminosidade forte e dos altos contrastes resultantes entre as sombras e a areia iluminada, uma câmera DSLR oferece resultados melhores do que uma compacta por ter um alcance dinâmico maior (amplitude de tonalidades que possam ser registradas, dos tons mais claros aos mais escuros). Porém, mesmo com uma compacta é possível conseguir bons resultados. E, com qualquer câmera, é recomendável fotografar quando a luz do sol é mais suave, ou seja, no amanhecer ou no entardecer, justamente para reduzir os contrastes por causa das sombras fortes.

Paisagens Marinhas

O tipo de objetiva mais usado para fotografar paisagens marítimas é a grande angular. Pode ser interessante levar também uma tele para algumas fotos mais específicas, como planos fechados de elementos afastados (barco ao largo, farol, surfistas…) ou de plantas e animais.

Um acessório muito proveitoso para fotografar na praia é o filtro polarizador, pois ele permite captar melhor os detalhes das nuvens e limitar os reflexos na superfície da água. Já o tripé pode ficar em casa, a menos que a ideia seja fotografar à noite ou experimentar longas exposições, situações nas quais ele é fundamental.

Registrar o mar em exposição longa pode dar resultados muito atraentes e diferenciados, com um efeito “leitoso”, deixando a água como se estivesse esfumaçada. Para isso, é aconselhável usar um filtro de densidade neutra (ND) para reduzir a quantidade de luz que entra pela lente, permitindo o uso de uma velocidade de obturador mais prolongada (de alguns segundos ou mais). Para ter sucesso assim, é aconselhável incluir no mínimo um elemento fixo na composição para que a nitidez dele contraste com o desfoque da água em movimento.

 

Tide goes up. Sun goes down. A calm breeze blows endlessly. This is where you want to be.
Foto do Alfred Myers, feita em Morro de São Paulo (BA), que explorou a baixa velocidade para deixar a água com aparência leitosa

Composição 

Como a maioria das fotos de mar é feita com a lente em posição de grande angular, isso quer dizer que o primeiro plano é predominante na imagem e os planos mais afastados parecem um pouco esmagados, secundários. Por isso, é preciso caprichar muito, tanto no primeiro plano quanto no fundo, para que a composição seja harmoniosa.

No primeiro plano, o fotógrafo precisa incluir um elemento de destaque, como rochas, plantas ou até uma concha. Formas atraentes na areia também podem embelezar o primeiro plano. No plano de fundo também é recomendável incluir elementos que possam captar o olhar do observador, como um farol, uma montanha, barcos, pássaros… Um contraste de cores e/ou de tonalidades entre os dois cantos opostos da imagem também pode agradar a composição.

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Cena marinha ao entardecer na Praia de Camboinhas, em Niterói (RJ), bem composta pelo Ricardo Alves

Na realidade, no mar (mais que em outros tipos de paisagens), o fotógrafo precisa encontrar um tema forte que valha realmente o clique. Nesse intuito, pergunte a si mesmo “por que faço a foto disso?” ou “qual é a história que conta essa imagem?”. São iniciativas que ajudam a pôr as ideias em uma perspectiva pragmática, sem perda de tempo com o que não vale a pena.

Lugar Certo

Para encontrar a composição mais estética, é importante se mexer muito ao redor do tema, procurar os pontos de vista mais adequados e os ângulos mais atraentes. Por exemplo: tente se abaixar para ficar próximo ao nível do chão, o que amplia os limites da imagem e enfatiza a percepção. Ou, se não encontrar elementos estéticos na própria praia para constituir um primeiro plano ou um fundo atraentes, procure um ponto de vista mais alto na beira-mar para fotografar de cima. Ou, se tiver a chance, faça um passeio de barco para fotografar a praia a partir da água.

É possível também tentar variar os ângulos. Profissionais fazem muitas fotos verticais do mar, o que ressalta a profundidade e a potência da água. Outra possibilidade: tente inclinar a câmera para ter uma imagem diferente e mais dinâmica. Todavia, se inclinar propositalmente a câmera, faça-o com vontade para que não seja percebido como uma falha pelo observador. Não fique apenas na “inclinadinha”.

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Em paisagem marinha, o céu deve ficar no terço superior do quadro e o horizonte precisa estar bem alinhado

Aliás, em todos os outros casos, é muito importante assegurar-se do perfeito equilíbrio da linha de horizonte. Foto de mar com o horizonte torto é terrível. Além disso, nunca posicione a linha do horizonte no meio do quadro, dividindo-o em partes iguais. Procure sempre colocá-la próximo ao terço, geralmente o terço superior, já que o céu raramente é o elemento importante da composição marinha. Não basta apenas procurar o melhor lugar e o melhor ângulo. É interessante voltar com frequência ao mesmo local, se possível, para captar outras combinações entre maré, luz, ondas, meteorologia…

Parâmetros

A principal armadilha técnica que o fotógrafo enfrenta em cenas marinhas é a subexposição. Pois, geralmente, a luminosidade alta associada à claridade da área e da água conduzem a câmera a subexpor a cena. Basta corrigir a exposição de +0,3 a +2 pontos para resolver o problema.

Não deixe de conferir o resultado no histograma, já que o monitor pode enganar, ainda mais sob a luz forte do sol. Verifique se a curva está um pouco mais para a direita (zonas mais claras, já que a cena de praia geralmente é mais clara que a média) sem alcançar as bordas (os pontos na borda esquerda são os pixels pretos enquanto os da direita são os pixels brancos, de luz estourada).

 

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Imagem de surfista feita pelo José Pedretti Júnior, que fez uma boa leitora de luz, apesar da claridade no fundo

E, no caso de um primeiro plano mais escuro, um disparo do flash no modo automático (chamado de preenchimento de luz ) permite reduzir o contraste com o fundo mais claro, iluminando os elementos mais próximos.

Muito bacana as dicas né?

As dicas são do Fotografo Laurent Guerinaud para a revista Fotografe Melhor :)

 

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